Passageiros que usam Riocard precisam ir até loja para reaver créditos não utilizados
- Branca Andrade
- 10 de jun. de 2024
- 2 min de leitura

Em maio deste ano a Justiça do Rio de Janeiro acatou um pedido da Defensoria Pública para impedir que os créditos dos cartões Riocard não utilizados pelo consumidor, no prazo de 1 ano, seja confiscado.
Isso significa que, após a decisão transitar em julgado, todos os valores retidos e não utilizados devem ser devolvidos aos consumidores.
Hoje, o passageiro que utiliza o sistema de cartões RioCard consegue carregar os créditos para passagem nas lojas da empresa, nos totens localizados em meios de transporte e também via aplicativo. O cartão é utilizado em todos os meios de transporte da capital e Região metropolitana do Rio, mas, quando, por algum motivo o passageiro para de usar os cartões, seja por qual motivo for, sacar o dinheiro de volta não é tão simples.
Aline Silva, possui cartões Riocard em casa com créditos remanescentes espalhados neles. Ela não usa transporte público na cidade há pelo menos três anos, mas até hoje não conseguiu reaver os valores que estão nos cartões, que depois de tanto tempo ela já nem lembra mais de quanto se trataria. "O problema é ter que ir até uma loja, enfrentar fila, gastar dinheiro com a locomoção, para ter de volta algo que é meu por direito."
O problema de Aline também atinge outras pessoas da cidade. Algumas não possuem sequer condições de pagar uma condução para ir até uma loja reaver o dinheiro.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa da empresa, que explicou que por questões de segurança contra fraudes, a devolução dos valores só pode ser feita de forma presencial, e, o cartão Riocard deve estar vinculado a um CPF e só o proprietário do cartão pode reaver a quantia.
A justificativa parece bem intencionada, mas, o que fica difícil da população entender é, por que para carregar o cartão é tão simples, sendo possível pagar até PIX via aplicativo, além de débito e crédito, mas para pegar o dinheiro de volta não? E, essa pergunta foi feita para a assessoria de imprensa da empresa que reconheceu que digitalizar todos os serviços é um processo necessário, mas alegou que precisa de tempo, e que é preciso fazer por etapas.
"A empresa conta com atendimento online via WhatsApp, atendimento por videoconferência com funcionários da loja, e tem caminhado para a digitalização de mais serviços, e ressalta que sempre há a possibilidade de utilizar os créditos nos meios de transportes da cidade e de mais de 40 cidades do estado do Rio." - diz a assessoria,
O processo judicial foi movido pelo Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública d0 Estado do Rio de Janeiro, que deseja impedir que as sobras de créditos dos passageiros acabe sendo esquecida na contabilidade da Fetranspor. Mas, se o passageiro não for até a loja buscar, é exatamente isso que vai acontecer. Talvez, a justiça deva decidir que esses valores excedentes, depois de um prazo, sejam direcionados para alguma causa nobre que retorne de alguma forma para a sociedade. Afinal de contas, segundo os cálculos da justiça, não estamos falando aqui de alguns centavos esquecidos em um cartão, somando o contingente de passageiros com dinheiro "esquecido" a quantia é de alguns milhões de reais.




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