top of page
Buscar

Conto 001 - O príncipe sapo (ou Henrique de Ferro)

TÍTULO ORIGINAL: Der Froschkönig oder der eiserne Heinrich

Tradução realizada em 22/10/2025 - do livro Grimms Märchen Vollständige Ausgabe (Edição completa Contos Irmãos Grimm - 1812/1815 - editora Anaconda. Obra adquirida no Museu GrimmWelt, em Kassel)

Nas versões atuais o conto foi renomeado para "A Princesa e o Sapo" e o feitiço é quebrado com um beijo.


Ilustração de Otto Ubbelohde, A Princesa e o Sapo, 1812
Ilustração de Otto Ubbelohde, A Princesa e o Sapo, 1812

Nos velhos tempos, quando ainda era possível desejar, vivia um rei cujas filhas eram todas lindas, mas a mais nova era tão linda quanto o Sol, que o próprio parecia se encantar quando iluminava seu rosto. Perto do castelo do rei havia uma grande e escura floresta, e na floresta, sob uma velha Tília*, havia um poço. Quando o dia estava muito quente, a filha do rei saía para a floresta e sentava-se à beira do poço fresco: e quando ficava entediada, pegava sua bola dourada, jogava-a para o alto e a pegava de novo; e esse era seu brinquedo favorito.


Certa vez, aconteceu que a bola de ouro da filha do rei não caiu em sua mão, já que ela tinha jogado alto, em vez disso, caiu no chão e rolou direto para a água. A princesa seguiu-a com os olhos, mas a bola desapareceu, e o poço era tão fundo, tão fundo, que não se via o fundo. Então ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto e não conseguia se consolar de jeito nenhum. E enquanto ela reclamava, alguém a chamou:


-O que você está aprontando, filha da rainha? Você está gritando tão alto que até uma pedra ficaria com pena!


Ela olhou ao redor em direção de onde vinha a voz e viu um sapo colocando sua cabeça gorda e feia para fora da água.


-Ah, é você, seu velho espirrador de água*. - disse ela - Eu choro pela minha bola de ouro que caiu no poço.


-Fique quieta e não chore - respondeu o sapo - posso provavelmente ajudar, mas o que você me daria em troca se eu pegar seu brinquedo de volta?


-O que você quiser, querido sapo - disse ela - minhas roupas, minhas pérolas e pedras preciosas, até mesmo a coroa de ouro que uso.


O sapo respondeu:


-Suas roupas, suas pérolas e pedras preciosas, e sua coroa de ouro, eu não gosto delas. Mas, se você me amar, e eu for seu companheiro, companheiro de brincadeiras, e sentar ao seu lado em sua mesinha, comer do seu prato de ouro, beber da sua xícara e dormir na sua cama: se você me prometer isso, eu descerei e buscarei sua bola de ouro para você de volta.


-Ah, sim - disse ela - eu prometo tudo o que você quiser se me trouxer a bola de volta.


Mas ela pensou: esse sapo só pode ficar na água coaxando com os seus, não pode ser companheiro de um humano.


O sapo, quando recebeu a promessa, mergulhou a cabeça, afundou, e depois de um tempo voltou remando com a bola na boca e a jogou na grama. A princesa ficou cheia de alegria quando viu seu brinquedo brilhando novamente, pegou-o e pulou para longe com ele.


-Espere, espere - gritou o sapo - leve-me com você, eu não consigo andar como você.


Mas, de que adiantava ele coaxar o mais algo que podia. Ela não lhe deu ouvidos, correu para casa e logo se esqueceu do pobre sapo que teve que voltar para o poço.


No dia seguinte, quando ela se sentou à mesa com o rei e todos os cortesãos e estava comendo em seu pequeno prato dourado, algo subiu sorrateiramente as escadas de mármore, splisch, splasch, splisch, splasch, e quando chegou ao topo, bateu na porta e gritou:


-Filha do rei, a mais nova, abra a porta para mim!


Ela correu e quis ver quem estava lá fora, mas quando ela abriu, o sapo estava lá fora. Então ela bateu a porta apressadamente, sentou-se à mesa novamente e ficou com muito medo. O rei viu que o coração dela batia forte e disse:


-Minha filha, por que estás com medo? Será que há um gigante à porta querendo te levar?"


-Ah, não - respondeu ela - não é nenhum gigante, mas um sapo desagradável.

-E o que o sapo quer de você?

-Ah, querido pai, ontem quando eu estava na floresta brincando perto do poço, minha bola de ouro caiu na água. E como eu estava chorando muito, o sapo trouxe de volta para mim, e como ele insistiu, prometi que ele seria meu companheiro, mas nunca pensei que ele conseguiria sair da água. Agora ele está lá fora e quer ficar comigo. - então houve uma segunda batida na porta e um grito:


- Filha do rei, a caçula,

abra a porta para mim,

Você não sabe o que

você me disse ontem

perto da água fresca do poço?

Filha do rei, a caçula,

abra a porta para mim.


Então o rei disse:

-Você deve cumprir o que prometeu; vá e abra a porta para ele. - Ela foi e abriu a porta, e o sapo pulou para dentro, seguindo-a em seus calcanhares, até sua cadeira. Lá, ele se sentou e gritou:


-Me levante até você. - ela hesitou até que o Rei ordenou. Quando o sapo estava na cadeira, ele quis subir na mesa, e quando se sentou ali, disse:


-Agora, aproxime seu prato dourado de mim para que possamos comer juntos.


Ela o fez, mas era óbvio que não gostava. O sapo gostou, mas quase todas as mordidas ficaram presas na garganta. Finalmente, ele disse:


-Já comi até me fartar e estou cansado, agora me leve para seu quartinho e prepare sua cama de seda, dormiremos lá.


A filha do rei começou a chorar e ficou com medo do sapo gelado, que ela não ousava tocar e que agora deveria dormir em sua cama linda e limpa. Mas o rei ficou furioso e disse:


-Quem te ajudou quando estava em necessidade você não deve desprezar depois.


Então ela o agarrou com dois dedos, carregou-o para o andar de cima e o colocou num canto. Mas quando ela estava deitada na cama, ele veio rastejando e disse:


-Eu estou cansado, quero dormir tanto quanto você: me levante ou eu conto para o seu pai.


Então ela ficou muito brava, pegou-o no colo e jogou-o contra a parede com toda a sua força:


-Agora você terá paz, seu sapo nojento.


Mas quando ele caiu, ele não era mais um sapo, mas um príncipe com olhos lindos e amigáveis. De acordo com os desejos de seu pai, ele agora era seu querido companheiro e marido. Então ele lhe disse que havia sido amaldiçoado por uma bruxa má, e que ninguém poderia tê-lo resgatado do poço, a não ser ela, e que amanhã eles iriam juntos para o reino dele. Então eles adormeceram e, na manhã seguinte, quando o sol os acordou, uma carruagem chegou, puxada por oito cavalos brancos com penas brancas de avestruz na cabeça e correntes de ouro, e na parte de trás estava o servo do jovem rei, o fiel Henrique. O fiel Henrique ficou tão triste quando seu mestre foi transformado em sapo que colocou três faixas de ferro em volta de seu coração para que ele não explodisse de dor e tristeza. A carruagem deveria levar o jovem rei ao seu reino. O fiel Henrique os colocou nela, sentou-se novamente no banco de trás e ficou radiante com o resgate. E quando já haviam percorrido uma curta distância, o príncipe ouviu um estrondo atrás de si, como se algo tivesse quebrado. Então, virou-se e gritou:


-Henrique, a carruagem quebrou.

-Não, senhor, não é carruagem,

é uma faixa do meu coração,

que sofria muito,

quando você estava sentado no poço,

quando você era um sapo.


Mais uma vez houve um acidente na estrada, e o príncipe pensou que a carruagem estava se partindo, mas eram apenas os laços que estavam se rompendo no coração do fiel Henrique, porque seu mestre estava redimido e feliz.


*árvore considerada pelos povos germânicos antigos como uma árvore sagrada, possuidora de poderes mágicos associados a proteção, justiça, amor, cura e paz. Adotada pelos povos germânicos como, a árvore da justiça, sob a qual os julgamentos eram realizados pois acreditava-se que sob seus galhos não se podia mentir.

*expressão informal utilizada de modo pejorativo pela personagem.



Texto original extraído em 22/10/2025 - do livro Grimms Märchen Vollständige Ausgabe (Edição completa Contos Irmãos Grimm - 1812/1815 - editora Anaconda. Obra adquirida no Museu GrimmWelt, em Kassel)


In den alten Zeiten, wo das Wünschen noch geholfen hat, lebte ein König, dessen Töchter waren alle schön, aber die jüngste war so schön, daβ die Sonne selber, die doch so vieles gesehen hat, sich verwunderte, sooft sie ihr ins Gesicht schien. Nahe bei dem Scholosse des Königs lag ein groβer dunkler Walt, und in dem Walde unter eine alten Linde war ein Brunnen: wenn nun der Tag recht heiβ war, so ging das Königskind hinaus in den Wald und setzte sich an den Rand des kühlen Brunnens: und wenn sie Langeweile hatte, so nahm sie eube goldene Kugel, warf sie in die Höhe und fing sie wieder; und das war ihr liebstes Spielwerk.


Nun trug es sich einmal zu, daβ die goldene Kugel der Königstochter nicht in ihr Handchen fiel, das sie in die Höhe gehaten hatte, sondern vorbei auf die Erde schlug und geradezu ins Wasser hineinrollte. Die Königstochter folgte ihr mit den Augen nach, aber die Kugel verschwand, und der Brunnen war tief, so tief, daβ man keinen Grund sah. Da fing sie an zu weinen und weinte immer lauter und konnte sich gar nicht trösten. Und wie sie so klagte, rief ihr jemand zu:


-Was hast du vor, Köningstochter, du schreist ja, daβ sich ein Stein erbarmen möchte.


Sie sah sich um, woher die Stimme käme, da erblickte sie einen Frosch, der seinen dicken häβlichen Kopf aus dem Wasser Streckte.


-Ach, du bist's, alter Wasserpatscher. - sagte sie - Ich weine über meine goldene Kugel, die mir in den Brunnen hinagefallen ist.


-Sei still und weine nicht. - antwortete der Frosch - ich kann wohl Rat schaffen, aber was gibst du mir, wenn ich dein Spielwerk wieder heraufhole?


-Was du haben willst, lieber Frosch - sagte sie - meine Kleider, meine Perlen und Edelsteine, auch noch die goldene Krone, die ich trage.


Der Frosch antwortete:


-Deine Kleider, deine Perlen und Edelsteine und deine goldene Krone, die mag ich nicht: aber wenn du mich lieb haben willst, und ich soll dein Geselle und Spielkamerad sein, an deinem Tischlein neben dir sitzen, von deinem goldenen Tellerlein essen, aus deinem, Becherlein trinken, in deinem Bettlein schlafen: wenn du mir das versprichst, so will ich hinuntersteigen und dir dir goldene Kugel wieder heraufholen.


-Ach ja - sagte sie - ich verspreche dia alles, was du willst, wenn du mir nur die Kugel wiederbringst.


Sie dachte aber: was der einfältige Frösch schwätzt, der sitzt im Wasser bei seinesgleichen und quakt und kann keines Menschen Geselle sein.


Der Frosch, als er die Zusage erhalten hatte, tauchte seinen Kopf unter, sank hinab, und über ein Weilchen kam er wieder herauf gerudert, hatte die Kugel im Maul und warf sie ins Gras. Die Königstochter war voll Freude, als sie ihr schönes Spielwerk wieder erblickte, hob es auf und sprang damit fort.


-„Warte, warte“, rief der Frosch, „nimm mich mit, ich kann nicht so laufen wie du.“


Aber was half ihm, daß er sein quak quak so laut nachschrie, als er konnte! Sie hörte nicht darauf, eilte nach Haus und hatte bald den armen Frosch vergessen, der wieder in seinen Brunnen hinabsteigen mußte.


Am andern Tage, als sie mit dem König und allen Hofleuten sich zur Tafel gesetzt hatte und von ihrem goldenen Tellerlein aß, da kam, plitsch platsch, plitsch platsch, etwas die Marmortreppe heraufgekrochen, und als es oben angelangt war, klopfte es an der Tür und rief:


-Königstochter, jüngste, mach mir auf!


Sie lief und wollte sehen, wer draußen wäre, als sie aber aufmachte, so saß der Frosch davor. Da warf sie die Tür hastig zu, setzte sich wieder an den Tisch, und ihr war ganz angst. Der König sah wohl, daß ihr das Herz gewaltig klopfte, und sprach:


-Mein Kind, was fürchtest du dich, steht etwa ein Riese vor der Tür und will dich holen?


– Ach nein - antwortete sie - es ist kein Riese, sondern ein garstiger Frosch.

– Was will der Frosch von dir?

–Ach, lieber Vater, als ich gestern im Wald bei dem Brunnen saß und spielte, da fiel meine goldene Kugel ins Wasser. Und weil ich so weinte, holte mir der Frosch sie wieder heraufgeholt, und weil er es durchaus verlangte, so versprach ich ihm, er sollte mein Geselle werden, ich dachte aber nimmermehr, daß er aus seinem Wasser heraus könnte. Nun ist er draußen und will zu mir herein. - Indem klopfte es zum zweitenmal und rief:


-Königstochter, jüngste,

mach mir auf,

weißt du nicht, was gestern

du zu mir gesagt

bei dem kühlen Brunnenwasser?

Königstochter, jüngste,

mach mir auf.


Da sagte der König: „Was du versprochen hast, das mußt du auch halten; geh nur und mach ihm auf.“ Sie ging und öffnete die Türe, da hüpfte der Frosch herein, ihr immer auf dem Fuße nach, bis zu ihrem Stuhl. Da saß er und rief:


-heb mich herauf zu dir. - Sie zauderte, bis es endlich der König befahl. Als der Frosch erst auf dem Stuhl war, wollte er auf den Tisch, und als er da saβ, sprach er:


-nun schieb mir deine goldenes Tellerlein näher, damit wir zusammen essen.


Das tat sie zwar, aber man sah wohl, daβ sie nicht gerne tat. Der Frosch ließ sich’s gut schmecken, aber ihr blieb fast jedes Bisslein im Halse. Endlich sprach er:


-Ich habe mich satt gegessen und bin müde, nun trag mich in dein Kämmerlein, und mach dein seiden Bettlein zurecht, da wollen wir uns schlafen legen.


Die Königstochter fing an zu weinen und fürchtete sich vor dem kalten Frosch, den sie nicht anzurühren getraute, und der nun in ihrem schönen reinen Bettlein schlafen sollte. Der König aber ward zornig und sprach:


-Wer dir geholfen hat, als du in der Not warst, den sollst du hernach nicht verachten.


Da packte sie ihn mit zwei Fingern, trug ihn hinauf und setzte ihn in eine Ecke. Als sie aber im Bett lag, kam er gekrochen und sprach:


-Ich bin müde, ich will schlafen so gut wie du: heb mich herauf, oder ich sag’s deinem Vater.


Da ward sie erst bitterböse, holte ihn herauf und warf ihn aus allen Kräften wider die Wand:


-Nun wirst du Ruhe haben, du garstiger Frosch.


Als er aber herabfiel, war er kein Frosch, sondern ein Königssohn mit schönen und freundlichen Augen. Der war nun nach ihres Vaters Willen ihr lieber Geselle und Gemahl. Da erzählte er ihr, er wäre von einer bösen Hexe verwünscht worden, und niemand hätte ihn aus dem Brunnen erlösen können als sie allein, und morgen wollten sie zusammen in sein Reich gehen. Dann schliefen sie ein, und am andern Morgen, als die Sonne sie aufweckte, kam ein Wagen herangefahren mit acht weißen Pferden bespannt, die hatten weiße Straußfedern auf dem Kopf und gingen in goldenen Ketten, und hinten stand der Diener des jungen Königs, das war der treue Heinrich. Der treue Heinrich hatte sich so betrübt, als sein Herr war in einen Frosch verwandelt worden, daß er drei eiserne Bande hatte um sein Herz legen lassen, damit es ihm nicht vor Weh und Traurigkeit zerspränge. Der Wagen aber sollte den jungen König in sein Reich abholen; der treue Heinrich hob beide hinein, stellte sich wieder hinten auf und war voller Freude über die Erlösung. Und als sie ein Stück Wegs gefahren waren, hörte der Königssohn, daß es hinter ihm krachte, als wäre etwas zerbrochen. Da drehte er sich um und rief:


-Heinrich, der Wagen bricht.

-Nein, Herr, der Wagen nicht,

es ist ein Band von meinem Herzen,

das lag in großen Schmerzen,

als ihr in dem Brunnen saßt,

als ihr eine Fretche (Frosch) wast (wart).


Noch einmal und noch einmal krachte es auf dem Weg, und der Königssohn meinte immer, der Wagen bräche, und es waren doch nur die Bande, die vom Herzen des treuen Heinrich absprangen, weil sein Herr erlöst und glücklich war.

 
 
 

Comentários


Branca Andrade - Na Magia das Histórias

  • alt.text.label.Instagram

©2024 por Branca Andrade - Jornalismo Responsável. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page